terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Jornal Correio Brasiliense publica matéria sobre a Paleorota e destaca a cidade de São Pedro do Sul































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Silvia Pacheco

Publicação: 29/12/2010 08:00 Atualização: 29/12/2010 02:25


A Região Sul é conhecida por paleontólogos do mundo inteiro como um local onde se encontram fósseis — em abundância e bem preservados — de dinossauros e de animais que deram origem a esses grandes répteis e aos primeiros mamíferos. Afloramentos rochosos com vestígios da pré-história surgem em uma imensa área no centro do Rio Grande do Sul e são considerados um verdadeiro tesouro a ser estudado. Em alguns locais, a ocorrência dos fósseis é tão abundante que é possível achar fragmentos desses animais no quintal de casa. A essa área deu-se o nome de Paleorrota. Seu principal trecho estende-se por 380km, entre o município de Mata e a capital, Porto Alegre (veja infografia).

A rota está situada dentro de uma área de rochas pertencentes aos períodos Triássico e Permiano, com idades que variam entre 210 milhões e 270 milhões de anos. “É muito difícil achar fósseis tão bem preservados como os que existem no Rio Grande do Sul. São raros os lugares no mundo onde há essas características”, ressalta Joanathas Bittencourt, paleontólogo do Laboratório de Paleontologia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.

Por essas características, o estado abriga o maior número de pesquisas em paleontologia do Brasil. “Muitos pesquisadores estrangeiros, em parceria com brasileiros, vasculham essa área riquíssima”, conta Bittencourt. Foi remexendo nessas terras que, em 1902, o paleontólogo Jango Fischer coletou o primeiro réptil terrestre fóssil da América do Sul, um rincossauro, um dos animais mais abundantes do Triássico. Seus restos foram encontrados em rochas que afloraram na região próxima ao município de Santa Maria.

Outros animais do Triássico anteriores aos dinossauros encontrados na Região Sul são o dicinodonte Dinodontosaurus turpior e o terrível predador Prestosuchus, parente distante do crocodilo e descoberto no primeiro semestre deste ano. Eles eram caracterizados pela estatura baixa e sua aparência era semelhante à dos lagartos.

“O Sul é riquíssimo em rochas que trazem a história do período Triássico praticamente completa, como o caso de afloramentos próximos à cidade de Candelária”, afirma Max Languer, paleontólogo da USP que estuda a região. Mais ao sul da Paleorrota, os pesquisadores encontraram fósseis ainda mais antigos, do Período Permiano, que antecedeu o Triássico. São dicinodontes, répteis, anfíbios e mezossauros que desapareceram não se sabe como.

Gigantes
Já o primeiro dinossauro descoberto em território brasileiro também foi localizado na Paleorrota. Trata-se de um estauricossauro, cujo nome significa lagarto do Cruzeiro do Sul. Em 1936, o paleontólogo Llewellyn Ivor Price, da Universidade de Harvard, encontrou fragmentos do fóssil no sítio paleontológico Jazigo Cinco, em Santa Maria. “É um dos dinossauros mais antigos do mundo”, informa o paleontólogo da USP. Como quase todos os dinossauros encontrados no Brasil, seu crânio não foi localizado. Embora não seja conhecido todo seu esqueleto, ele certamente era um animal que andava apenas sobre duas patas — os dinossauros tiveram origem em animais bípedes. “O estauricossauro nos dá ideia da aparência dos primeiros dinossauros”, cita Bittencourt.

Até o momento, foram encontrados fósseis de cinco espécies de dinossauros do Triássico no Brasil, todos no Rio Grande do Sul. O mais antigo é o Saturnalia tupiniquim. Ao estudá-lo, os paleontólogos podem reconhecer características dos ossos e dos hábitos de vida dos primeiros animais de uma linhagem cuja evolução, milhões de anos mais tarde, os transformaria nos maiores animais que já habitaram a terra firme.

Para se ter uma ideia de quão abundantes são os afloramentos próximos às cidades da Paleorrota, o sítio de Arroio Cancela está encrustrado no centro da cidade de Santa Maria, mais precisamente a 600m da estação rodoviária. Não é à toa que alguns desses fósseis podem ser descobertos no quintal de casa. Foi o que ocorreu com o analista de sistemas Sérgio Kaminski, 48 anos, quando ele era criança. “Estava brincando quando vi os fragmentos. Guardei, mas minha mãe acabou jogando fora, achando que fosse um monte de pedra inútil”, conta Kaminski, que na época da descoberta tinha 12 anos e mais tarde acabou virando um estudioso amador. Foi ele quem criou o termo Paleorrota.

Extinção
Há cerca de 251 milhões de anos, devido a um evento ainda desconhecido, 95% de todas as espécies foram extintas. O fato provocou uma mudança drástica em toda fauna e marca a fronteira entre os períodos Permiano e Triássico. Durante o Triássico, os répteis voltam a dominar o mundo, porém com novas formas: são os primeiros dinossauros.

Bico
Os rincossauros eram herbívoros e tinham o corpo atarracado. Uma de suas características mais marcante é a ocorrência, em algumas espécies, de um bico parecido com o de um papagaio.

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